Economias e Jabuticabas

Um país com mais de 300 anos sob o domínio colonial herda muitas marcas. Creio que no Brasil uma das principais heranças seja o colonialismo intelectual. Todo brasileiro é capaz de levar a sério idéias completamente idiotas ou inapropriadas ao tema, desde que tenha o aval dos “superiores” cérebros do norte.

Um dos exemplos mais caricatos se dá com a chegada da corte ao Brasil em 1808. Junto com objetos absolutamente inúteis ao clima tropical como casacos de pele e esquis para a neve, as senhoras da corte trouxeram lencinhos na cabeça para disfarçar a careca provocada por uma infestação de piolhos. O mais hilário é que as damas do Rio de Janeiro passaram a utilizar lencinhos na cabeça, imitando as portuguesas recém chegadas, sem saber que na Europa era coisa de pessoas piolhentas!

Na economia não é diferente. Basta um sujeito pensar diferente dos modismos do norte que já é olhado com desdém. “Onde já se viu ignorar as mais “modernas” idéias das grandes universidades americanas?” O termo pejorativo utilizado quando um economista brasileiro pensa sem pedir licença aos seres civilizados do norte é “jabuticaba”. Para nossos americanizados economistas, a deliciosa frutinha seria motivo de vergonha simplesmente por ser um produto tipicamente brasileiro.

O engraçado é que adoro essas frutinhas negras. Sou capaz de comer baldes inteiros de jabuticaba sozinho! Para mim, é uma das coisas mais deliciosas que existem!

Sou um amante das jabuticabas, tanto das frutas quanto da capacidade dos brasileiros em ter idéias novas. Por isso, este blog é uma homenagem singela a um dos maiores patrimônios nacionais: as jabuticabas!

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Brasil diante da Crise

O mundo tem atravessado a maior crise desde a Grande Depressão dos anos 30. A magnitude das perdas do sistema financeiro é de tal ordem que é possível considerarmos que se não fosse as inovações em política monetária e fiscal essa crise seria a mais grave da história do capitalismo.

Essa crise atingiu em cheio o coração do sistema capitalista mundial, tanto os EUA como a Europa, estão cheios de ativos tóxicos e vêem a recessão e o desemprego atingir toda a economia. No bojo dessa enorme crise, símbolos dos capitalismo como Citibank e General Motors só permanecem funcionando devido aos respiradores da UTI do governo americano.

Diante das dimensões da crise, o Brasil foi inevitavelmente atingido. Assim, cabe a pergunta: a reação do governo brasileiro tem sido adequada?

Penso eu que sim. Pela primeira vez nos últimos 30 anos, o governo tem atuado para reduzir os efeitos da crise sobre a população. Redução de impostos e aumento nos gastos públicos tem dominado a resposta do governo Lula a crise.

A escolha das desonerações tem sido bem elaborada, pois foram escolhidos setores com uma longa cadeia produtiva como o setor automobilístico (que inclui desde siderúrgicas, autopeças a fabricantes de vidros), agentes com elevada propensão a consumir, como a classe média-baixa com a desoneração do imposto de renda, e setores intensivos em mão-de-obra como a construção civil. São políticas com elevada capacidade de geração de emprego e renda, e atuam na direção de mitigar parte dos efeitos da crise.

Quem conhece o serviço público sabe que é impossível a equipe econômica conseguir reduzir despesas de custeio e aumentar os gastos com investimentos ao mesmo tempo. Primeiro que nos contingenciamentos do Tesouro Nacional quem é contingenciado é o órgão e não as suas despesas específicas. Não faria nem sentido, o Tesouro Nacional em Brasília decidir sobre as despesas de um hospital em Manaus que devem ou não ser cortados. Ou seja, quem escolhe o que cortar são os órgãos e não a equipe econômica. Em segundo lugar, o investimento requer um longo planejamento e complicados procedimentos como licenciamentos, licitações e estudos. Desta forma, não é possível aumentá-los significativamente em momentos de crise.

Por isso, creio que as escolhas do governo no que se refere a política fiscal tem sido consistentes e racionais.

O ponto negativo fica por conta da atuação do Banco Central. Enquanto o Brasil vivia a maior crise dos últimos anos, com mais de 600 mil demissões no setor formal em dezembro e uma forte retração no PIB, o senhor Henrique Meirelles ignorava a recessão e mantinha seu mantra sobre a inflação.

Além disso, podemos considerar a reação do governo ainda tímida. Uma atitude mais enérgica poderia garantir um crescimento de 3% do PIB ainda nesse ano. Mas para isso seria preciso a coragem de reduzir ou mesmo zerar o superávit primário, aumentando os gastos com aposentadorias, saúde através do reajuste da tabela do SUS e mais desonerações para construção civil e pessoas de renda baixas e médias. Com isso, reativaríamos a confiança do consumidor e a venda das empresas.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Favorita

Nunca me agradaram idéias que enxergam o povo brasileiro como uma gente bonachona, incapaz de pensar sobre a própria vida e que votam como quem escolhe os amigos para uma tarde no boteco regada a bebidas. Nesta perspectiva, o cidadão brasileiro estaria disposto a arriscar o seu futuro e a vida de sua família ao primeiro candidato sorridente que atravesse seu caminho fazendo promessas.

No entanto, infelizmente o dia-a-dia dos brasileiros não é um mundinho de chocolate. Por isso, as questões políticas são essenciais para a maioria das pessoas. Para as pessoas mais pobres, a política decide se haverá alguém a socorrer seus filhos no momentos mais sofridos, se poderão sonhar com um futuro ou até se poderão comer amanhã ou enterrar os mortos. A política envolve decisões muito importantes e as pessoas sabem disso, mesmo quem que não leu Virgílio em latim.

As pessoas na hora no voto analisam muito bem como está sua vida, se as coisas tem melhorado, e são muito conservadoras. Não estão dispostas a jogar em cima da tênue linha da dignidade. Por isso, uma gestão muito bem avaliada tem uma chance enorme de eleger o seu sucessor. Isso explica a carreira de muitos políticos sem o mínimo de carisma como Alckmin, Márcio Lacerda, Kassab ou mesmo José Serra.

Desta forma, é possível verificar desde já o enorme potencial eleitoral de Dilma Roussef. Os 84% de avaliação positiva de Lula a colocam numa posição amplamente favorável em relação aos demais candidatos, que terão o árduo papel de explicar ao povo do porque mudar.

Também é preciso considerar que o discurso de “bom gestor” de Serra ou Aécio será enfraquecido diante da ministra-chefe da Casa Civil. O PAC é cartão de vistas em tanto e não adianta argumentar sobre os corriqueiros atrasos dos investimentos públicos e do programa não atingido suas metas. O fato é que o PAC aumentou os investimentos públicos em cerca de 150% e o governo terá na época das eleições R$ 100 bilhões em investimentos para mostrar, isso sem falar nos ainda poderosos efeitos do Bolsa Família.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O Sonho de Juscelino